Rede de Judiarias de Portugal

Algarve

Território mais a sul de Portugal, o Algarve correspondeu por isso à última parte a ser integrada no todo nacional (1248).

A reconquista cristã aconteceu assim muito mais cedo que a incorporação do reino árabe de Granada em Espanha (1492).

Durante muito tempo verificou-se uma certa insegurança derivada ou de contra ataques muçulmanos ou de corsários que não motivaram o estabelecimento sólido de judeus no Algarve.

No entanto, a partir do séc XIV, começaram a crescer comunidades nos principais centros urbanos tais como Silves (antiga sede de reino de taifa árabe), Tavira e Faro (estes os dois principais núcleos urbanos. Com início nos descobrimentos encetados pelo Infante D. Henrique e respectiva expansão do comércio mercantil outros centros passaram a ver desenvolver comunas judaicas.

Foi o caso de Lagos e Alvor e de forma menos numerosa, Portimão e Loulé.

O Algarve, destino turístico conhecido pelas suas praias de areias brancas e falésias douradas, tem também história e património cultural para oferecer aos seus visitantes. A sua integração no projecto da Rede de Judiarias de Portugal permite divulgar esta faceta da história da região, onde prosperaram comunidades de judeus, muitos deles mercadores, atraídos para o Algarve na época dos Descobrimentos Marítimos Portugueses.

Lagos – Foi um dos principais locais de partida das armadas portuguesas rumo à costa africana. Atraiu então tantos mercadores judeus que, como estes não cabiam no bairro original, pediram autorização ao Infante D. Henrique para se instalarem nas zonas cristãs, tendo esse privilégio sido concedido e reconfirmado mais tarde no reinado de D. Afonso V (1438-1481). O conflito entre as duas comunidades determinaria a demarcação de uma “judiaria nova” em 1481, já no reinado de D. João II.  Apesar do terramoto de 1755 ter destruído parte da cidade e em consequência ter feito desaparecer os vestígios desta presença, Lagos é cidade de visita obrigatória, onde se podem apreciar diversos templos cristãos bem como as muralhas manuelinas e maneiristas (séc. XVI).

Faro – A capital do Algarve teve, na época medieval, uma judiaria que se destacou por ter sido o berço da imprensa em Portugal, com a edição, em 1487, por Samuel Gacon, do Pentateuco em hebraico. O édito de expulsão dos judeus, em 1496, levou ao declínio da judiaria e só no século XIX voltou a fixar-se em Faro uma próspera comunidade de judeus vindos de Gibraltar e de Marrocos e que contribuíram para o crescimento do comércio local. Cerca de 1830, esta comunidade edificou duas Sinagogas, de que já não existem vestígios, e um cemitério. Este cemitério judaico foi abandonado aquando do desaparecimento da comunidade por motivos de migração dos jovens e morte dos idosos. Nos anos 80 é promovida a inventariação das usas lápides, acabando por ser restaurado em 1993. Em 2003 é renomeado passando a designar-se Centro Histórico Judaico de Faro. Para além deste cemitério, Faro detém ainda alguns sinais da prosperidade judaica do século XIX: o edifício onde hoje está instalado o Colégio Algarve (Rua Filipe Alistão), por exemplo, foi residência de Abraão Amram. Uma visita a Faro deverá incluir um passeio pela zona histórica onde não faltarão motivos de interesse: Muralhas medievais, Catedral, Museu Arqueológico…

Tavira -  Cidade em que também existiu uma importante judiaria localizada na antiga cerca do Convento da Graça, anteriormente Mosteiro de Santo Agostinho e  hoje em dia transformado em Pousada da Enatur. No local existiu igualmente uma Sinagoga, transformada em 1542 na Igreja de Nossa Senhora da Graça.

Outros locais – Sabe-se que, no Algarve, houve judiarias noutras localidades: Alcoutim, Alvor, Loulé, Portimão, Silves e Castro Marim. Ligada à presença judaica no Algarve também não serão alheios certos topónimos da região: Sinagoga, Adro dos Judeus, Vale Judeu…


Para mais informações sobre o Algarve: www.visitalgarve.pt

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