Rede de Judiarias de Portugal

Bragança

Desde a idade média, reinado de D. Dinis, que a cidade de Bragança acolheu comunidade judaica. À data da expulsão de Espanha em 1492, Bragança, localizando-se  numa das cinco fronteiras definidas por D. João II para a recepção aos refugiados castelhanos, terá recebido cerca de 3.000 pessoas que vieram dinamizar o crescimento económico e o ambiente social da cidade. Fábricas de seda,  trabalho de curtumes ( junto ao rio Fervença ), diversas actividades artesanais e lojas comerciais foram assim criados. A Rua dos Gatos é um dos locais que terá acolhido a judiaria.

Com a passagem ao tempo dos cristãos-novos, Bragança tornou-se, durante séculos um dos esteios nacionais de uma peculiar realidade de cripto-judaismo: o marranismo português despontou não só na cidade como no distrito. Mesmo no século XX, a partir de 1925, foi recriada a comunidade judaica em Bragança tendo como base cripto-judeus da cidade.

Muitas personalidades de origem bragantina tiveram influência internacional; Isaac Orobio de Castro ( 1620-1687), Jacob de Castro Sarmento ( 1691-1762 ) e o pai do célebre pintor impressionista Camille Pissarro, Abraham  Gabriel Pissarro.

Durante o tempo da inquisição, centenas de cristãos-novos de Bragança foram processados por judaísmo.

 

Bragança e a memória sefardita

O Município de Bragança tem hoje mais dois espaços fundamentais da sua vida cultural: o Centro de Interpretação da Cultura Sefardita do Nordeste Transmontano e o Memorial e Centro de Documentação – Bragança Sefardita, situados na Rua Abílio Beça, “Rua dos Museus”.

O primeiro reúne a arquitetura de Eduardo Souto Moura e Joaquim Portela com a investigação da Cátedra de Estudos Sefarditas «Alberto Benveniste» da Universidade de Lisboa e a museografia de Ideias Emergentes.

O percurso expositivo mostra ao visitante o peso da História Sefardita no território, construindo uma narrativa que começa na medievalidade, passando pelo peso e pelo lugar das dinastias financeiras brigantinas na Época Moderna, e, ainda, pelos imensos homens de cultura em diáspora, terminando num quadro intenso dedicado à Inquisição.

O segundo espaço, com a arquitetura de Susana Milão e Eurico Salgado, em parceria com a Rede de Judiarias de Portugal – Rotas de Sefarad, complementa e dialoga com o primeiro. Trata-se de uma abordagem mista - material e virtual. O espaço interior e a luz remetem para a memória. O visitante é acolhido numa sinagoga, mostrando-se didaticamente a dimensão religiosa. O lugar da mulher, os ritos e as festas têm espaço consagrado nos restantes pisos, procurando-se sempre entender a dimensão da vida sefardita na cidade de Bragança.

 

Contactos

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Rua Abílio Beça, n.º 26 e 103

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